Melhoria Contínua: Inimiga do Status Quo?

Melhoria Contínua: Inimiga do Status Quo?

Segundo um provérbio chinês, o bater das asas de uma borboleta pode ser sentido do outro lado do mundo. Mas, como poderia o bater das asas de uma borboleta na Ásia causar um furacão nos EUA? Segundo o Efeito Borboleta, investigado por Edward Lorenz, uma pequena alteração inicial pode ter um efeito considerável tanto a médio como a longo prazo.

Ainda assim, conseguir este pequeno efeito não é simples. O escritor Samuel Johnson afirma que "não fazer nada está ao alcance de todos". Além disso, os seres humanos são por natureza resistentes à mudança, receosos relativamente ao que não conhecem e do impacto que as novas rotinas podem trazer, porque "é melhor conhecer o mau do que vir a conhecer o bom".

As pessoas incorporam o status quo como condição natural, considerando qualquer mudança como uma perda. Em 1988, William Samuelson e Richard Zeckhauser desenvolveram um estudo para testar como as pessoas, quando confrontadas com uma decisão, escolhem a opção mais familiar. Estes introduziram o conceito do viés do status quo, através de uma série de experiências sociais que demonstram até que ponto o status quo tem peso na tomada de decisões e como isto conduz à resistência à mudança.

Em 1985, a Coca Cola propôs aos seus consumidores uma reformulação do sabor original. Nas provas cegas, muitos dos consumidores favoreceram o sabor da Nova Coca Cola em detrimento da Coca Cola Classic. No entanto, no momento da compra, a escolha recaiu sobre a Coca Cola Classic.

Se pensarmos em escolher uma sanduíche para comer, muito provavelmente vamos escolher aquela que já provámos anteriormente, pois isso parece mais seguro do que correr o risco de comer uma sanduíche que não é do nosso agrado, certo?

Grande parte das pessoas agem com base na inércia e é necessário um esforço adicional para sair da zona de conforto, simplesmente porque isso ativa a parte racional do cérebro e desencadeia novos processos e rotinas. Este comportamento leva frequentemente ao desperdício de oportunidades.

No mundo empresarial, ficar parado não implica apenas a perda de oportunidades, mas em muitos casos o desaparecimento do próprio negócio, na medida em que os mercados forçam as empresas a oferecer o melhor de si próprias para conseguirem crescer.

Refletir sobre a Evolução e a Melhoria Contínua é equacionar a Mudança. Todas as pessoas, todos os dias, em todo os locais, devem fazer parte desta mudança. Mas como podemos ativar a proatividade da equipa? Como podemos fazer da mudança cultural e da melhoria contínua não só um projeto empresarial, mas também um desafio individual de cada membro da equipa?

É frequente que os colaboradores desconheçam a estratégia da empresa e que percebam, até que ponto contribuem para a mesma. Dados apontam que cerca de 94% dos líderes não estão cientes do seu impacto na estratégia empresarial. Para a tomada de decisões, a falta de conhecimento sobre os benefícios obtidos ou potenciais oportunidades desperdiçadas, ajudará a evitar o viés.

Para melhorar o envolvimento dos colaboradores, os líderes precisam de trabalhar na dinâmica da equipa e na capacidade de resolução de problemas. Para tal, é importante cumprir as 3 Regras de Ouro:

1. Reagir rapidamente aos avisos assinalados pelos membros da equipa. Para este efeito, será fundamental estar próximo das pessoas, ter tempo e competências para implementar rapidamente soluções eficazes e, claro, conhecer o processo e os métodos. A maior parte do tempo das equipas está concentrado em intervenções corretivas, com 85% dos problemas a voltarem a ocorrer, independentemente de todas as medidas implementadas.

2. Acompanhar e Comunicar o Desempenho da Equipa, através de quadros de equipa, monitorização regular do desempenho e troca de feedback entre a equipa e os gestores, de forma regular.

3. Implementar as melhorias necessárias, motivando os membros da equipa a participar, trabalhar em contramedidas, etc. Dados revelam que apenas 5% das pessoas melhoram o seu trabalho e 70% das melhorias não são sustentadas após o primeiro ano. Tudo isto advém da falta de envolvimento e da resistência à mudança entre os colaboradores, associado a um estado geral de permissividade e de falta de normalização.

Em suma, o futuro da liderança e de qualquer mudança cultural reside na quebra do status quo, e por vezes, grandes revoluções são desencadeadas por pequenas mudanças, como o simples esvoaçar de uma borboleta.

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