Ouvir a Voz Exterior para Re-imaginar a Moda

Ouvir a Voz Exterior para Re-imaginar a Moda

Existirá um Tesla no futuro da moda?

Por John S. Thorbeck


Neste momento, onde estamos no caminho para uma transformação na indústria da moda? Neste ano de disrupção com proporções quase bíblicas, quais são as hipóteses de redenção nesta era de crescimento perdido?

As teorias da inovação disruptiva e da destruição criativa permitem-nos compreender as perdas e ganhos económicos. Contudo, o que explica por que razão a mudança empresarial é tão lenta e dispendiosa, mesmo numa crise? Para uma melhor compreensão do processo de mudança, devemos considerar estas quatro fases muito humanas, onde nos podemos encontrar como indivíduos ou como empresas.

Em primeiro lugar, numa pandemia, é natural temer as forças que nos ameaçam. De facto, esforçámo-nos a dobrar até sermos obrigados a reconhecer que o que antes funcionava está agora destruído. Segundo, sendo apanhados de surpresa, somos agora nós que ficamos cegos, incapazes de ter uma ideia do que vem a seguir. Em terceiro lugar, nos limites da nossa experiência e dos nossos recursos, começamos a procurar para além do conhecimento anterior. A voz exterior é ouvida. Por último, na renovação, o antigo não é abandonado. Fazemos a ponte para o desconhecido, integrando novos conhecimentos para alcançar algo novo.

Será este um retrato da moda - a famosa indústria insular - na tempestade da reinvenção? Onde estamos nós neste momento? Pessoalmente, penso que estamos na fase de procurar e ouvir a voz exterior. Aliviamos a nossa restrição aos métodos tradicionais para que seja possível voltar, em segurança, à normalidade: novos calendários, reinvenção dos métodos de compra, automatização, externalização local, see now/buy now online, dimensionamento correto de inventário, fecho de lojas e digitalização completa. A excessiva promoção individualizada destes conceitos diminui a perceção do seu potencial impacto para reavivar o negócio da moda.

A moda apercebe-se agora que não se pode salvar sozinha, como se uma nova onda de visuais, silhuetas e cores pudesse corrigir um ciclo descendente. Se é um leitor próximo dos meios de comunicação da moda, conhece as opiniões dos CEO's, designers , ativistas, e celebridades em relação à correção da indústria. Unidos na angústia, não existe um consenso para a reimaginação do ecossistema que o erga em relevância e prosperidade. A moda deve adaptar a aprendizagem de outras indústrias e indivíduos, especialmente em eletrónica, automóveis e entretenimento.

Embora existam inúmeras iniciativas à escolha, são poucas as que estão diretamente relacionadas com o valor de mercado e com a geração de capital. Processo - ou inovação arquitetónica - é como as peças do puzzle se encaixam de uma nova forma. A moda é altamente fragmentada globalmente e está amplamente organizada segundo os níveis da sua cadeia de valor. O resultado é uma rigidez bastante enraizada com foco na obtenção do menor custo, o que se torna o principal obstáculo à conquista de maior velocidade, agilidade e redução de riscos. Colher os benefícios de ser rápido, lean e flexível implica a superação de um desafio cultural, que ainda não foi ultrapassado na maioria dos cenários.

Felizmente, à medida que a indústria da moda enfrenta os seus limites surge inspiração para substituir a velha arbitragem baseada no custo. A dependência de mão-de-obra de baixo custo, fábricas subcontratadas e países em desenvolvimento são agora uma vulnerabilidade. Nas investigações da última década em Stanford, o Professor Emérito Warren H. Hausman e eu demonstrámos que a localização não afeta a adoção de estratégias de stock postponement. Mesmo em pequena escala, a melhoria da flexibilidade das cadeias de valor pode atingir melhorias de capitalização de mercado de 30% a 40%. Esta vantagem económica a montante é a nova vantagem competitiva, superando os custos mais baixos, os volumes elevados e os longos Lead Times.

Por último, a sustentabilidade merece uma definição cuidada. Tal como a qualidade agitou a indústria automóvel nos anos 80, o desafio dos nossos tempos é consegui-la com menos custo e risco na moda. Hoje, a Tesla está a produzir veículos elétricos a um volume que faz baixar o custo das baterias e da energia elétrica. A moda deve fazer o mesmo com produtos e práticas sustentáveis que impulsionem a procura a custos e preços mais baixos. A nossa experiência em Stanford corrobora um processo que também é mais rentável: a geração de menos stock e zero desperdícios. Para eliminar o excesso de produção, novas ferramentas de desenho virtual 3D ligar-se-ão às fábricas através de algoritmos, diminuindo o risco de inventário parado. Como Elon Musk exemplifica, cada indivíduo é relevante, e os líderes destes negócios industriais e tecnológicos estão a iluminar o caminho.

A sustentabilidade é o que liga a moda a outras indústrias: um objetivo partilhado que afeta o capital financeiro. O facto de todas as indústrias competirem por capital, torna as finanças numa força e num incentivo significativos para a mudança. Os critérios assumidos pelos maiores gestores de fundos do mundo para mandatar novas medidas não financeiras conhecidas como métricas ESG (Environmental, Social & Governance) ou os fundos de pensões passarem da avaliação de risco-retorno para um peso equitativo para risco, retorno e impacto, são exemplos destes incentivos. Estas medidas sociais e de mercado afetam todas as marcas e retalhistas que desejarem ter um crescimento sustentável.


No dia 22 de outubro, terá lugar o Reset Fashion Event, reunindo especialistas da indústria da moda, de cadeias de abastecimento e Artificial Intelligence em torno do tema da disrupção. Passar de stock parado para personalização em massa é a viagem para alcançar cadeias de abastecimento mais rentáveis e sustentáveis. Junte-se ao nosso painel de especialistas Ahmed Zaidi, Gonçalo Cruz, James Stewart, John Thorbeck e José Pires: Inscrição gratuita em: www.kaizen-insights.com/reset-fashion


A Moda - a primeira indústria globalizada - pode mobilizar uma nova geração que já está empenhada em melhorar o nosso planeta. Com uma ação coletiva, as marcas podem evoluir da conformidade com "não causar danos" para um impacto social positivo nas comunidades de fornecedores e nas vidas humanas. A fórmula, tanto para o mercado como para o capital social, é a inovação de processos + data science. Isto é de facto, tecnologia social tanto para valores como para criação de valor. O Têxtil, a nossa Escola para a Globalização, pode mais uma vez reimaginar o capitalismo.

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