Gestão da Mudança e Estratégia 4.0

Gestão da Mudança e Estratégia 4.0


Gestão da Mudança e Estratégia 4.0

Se observamos os planos estratégicos das empresas industriais que lideram os seus respetivos sectores, 100% dos casos têm como prioridade estratégica a implementação de tecnologias incluídas no campo da indústria 4.0. Isto é uma clara indicação de que já se assume, com um elevado grau de certeza, que as empresas que se posicionam na vanguarda de tecnologias como Big Data, inteligência artificial (IA), Internet das Coisas (IoT), robotização, produção aditiva, realidade aumentada, realidade virtual, digitalização, nuvem ou ainda segurança cibernética, terão vantagens competitivas disruptivas em termos de custo, qualidade, prazos de entrega, customização de produtos e atendimento ao cliente.

Um dos indicadores fundamentais que beneficia com estas tecnologias, independentemente da abordagem, é o indicador da qualidade. Referimos a qualidade em todas as suas aplicações, como a qualidade do produto acabado, qualidade da matéria-prima, qualidade dos processos, qualidade da informação, qualidade das decisões tomadas, etc. Assim, as empresas esperam obter uma vantagem competitiva sustentável como resultado da implementação destas tecnologias. Contudo, a capacidade para levar a cabo uma implementação eficaz não está presente em muitas das empresas por várias razões:

- A maior parte das empresas não possui uma estratégia clara de implementação. Em muitos casos, as implementações decorrem com uma abordagem isolada entre si, isto é, diferentes iniciativas relacionadas com a indústria 4.0 são geridas e implementadas de forma independente, sob um modelo de execução pouco claro. Este fator gera problemas como a incapacidade de aproveitar as sinergias existentes entre diferentes tecnologias, a priorização desinformada do investimento, principal gargalo no progresso da indústria 4.0, e um ineficaz planeamento de capacidade dos recursos envolvidos nos projetos.

- Uma correta análise do retorno do investimento nem sempre é feita, em alguns casos por falta de conhecimento técnico, noutros por falta de informação fidedigna. Sabendo que em muitos casos o progresso de um projeto nesta área requer um investimento considerável, uma correta análise do retorno do investimento é fundamental para apoiar na tomada de decisões.

- Muitas empresas não alcançaram ainda um nível de maturidade e normalização dos processos que permita aplicar com sucesso todo o potencial da tecnologia. A falta de clareza processual no ponto de partida poderá conduzir a erros impactantes, como o investimento em áreas com pouco ou nenhum impacto a curto prazo ou a automatização de atividades sem valor acrescentado. Exemplos de implementação com baixo nível de maturidade podem ser:


Robotização de processos que ainda possuem elevados níveis de ineficiência, fontes de defeitos não controladas e falta de normalização.

Implementação de ferramentas de Big Data ou inteligência artificial em processos com profundidade e fiabilidade de dados insuficiente, gerando modelos inúteis.

Digitalização sem garantia de integração entre sistemas, causando uma dispersão de informação que potencia a sua desatualização e incoerência.

Falta de conhecimento interno nas tecnologias implementadas. Isto gera uma falta de sustentabilidade das novas soluções e um baixo desempenho da aplicação das mesmas. Não só a equipa de engenheiros que lideram a implementação deve ter conhecimento, mas também os utilizadores dos sistemas, cada um no seu nível de necessidade.


- Sistema de gestão da mudança desadequado. A implementação de novos sistemas operacionais com elevado impacto no trabalho dos colaboradores requer uma organização flexível com grande capacidade de adaptação à mudança e com processos de gestão preparados para tal. Vemos muitas falhas decorrentes da resistência à mudança e da falta de agilidade e flexibilidade das organizações, que não estão preparadas para tal mudança.

Como resposta aos pontos mencionados acima, o roadmap de implementação proposto deve começar com uma fase de planeamento estratégico da indústria 4.0 com os seguintes passos:


Change management and strategy

1. Estabelecer os objetivos estratégicos da organização a longo prazo (5 anos) e de implementação a curto prazo (1 ano), com base na análise do mercado, concorrentes, fornecedores, clientes, investidores, etc.

2. Com base nos objetivos anteriores, realizar uma análise detalhada -Value Stream Analysis -das principais cadeias de valor da organização. Nesta análise, é feita uma avaliação do atual nível de maturidade dos processos com vista à implementação das diferentes tecnologias na indústria 4.0. São selecionadas as tecnologias mais adequadas para cada caso e identificados os pré-requisitos necessários à implementação.

3. Com base na análise detalhada das operações, criar diferentes cenários de implementação com respetivo investimento e retorno associados para que seja possível compará-los entre si e tomar decisões.

4. Estabelecer um roadmap detalhado de priorização e implementação, seguindo uma abordagem holística onde a implementação é considerada como um projeto e não como um conjunto de iniciativas isoladas. Este roadmap de implementação considera as sinergias tecnológicas, a sequência lógica de implementação e a preparação da organização para a gestão da mudança - otimização e normalização dos processos e treino ágil e eficientes dos colaboradores.

5. Para cada uma das iniciativas definidas no roadmap, estabelecer um indicador que meça a sua contribuição para o objetivo estratégico definido para o projeto. Desta forma, a gestão de topo está diretamente envolvida e comprometida com o acompanhamento das iniciativas definidas.

6. Criar um sistema eficaz de follow-up da implementação, que elimine os gargalos e permita tomar decisões com agilidade, envolvendo a gestão de topo. A tecnologia evolui tão rapidamente que, se não existir capacidade para criar ciclos rápidos de implementação, é muito provável que as decisões de implementação sejam tomadas para as tecnologias de ontem e não para as de amanhã.

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