Testar, testar, testar e só depois desenhar? Sucesso assegurado!

BY KAIZEN INSTITUTE - 2017-07-14

A Toyota observou ser mais vantajoso conhecer previamente e de modo aprofundado o modelo/design de um produto, do que saber o resultado de protótipos de produção após serem testados. Esta teoria permite satisfazer os clientes e paralelamente fazer com que os projetos, na sua essência, nunca falhem!

Este conceito foi amplamente testado há mais de cem anos pelos irmãos Wright, inventores e pioneiros, aos quais foi concedido o crédito pelo desenvolvimento da primeira máquina voadora mais pesada do que o ar.

Há muito que engenheiros brilhantes tentavam fazer voar aparelhos tripulados, embora sem sucesso. Os Wright conseguiram alcançar tal feito! Os irmãos transformaram o front end do desenvolvimento num processo de tomada de decisão e aprendizagem focada e cirúrgica e nesse sentido eliminaram a duplicação de trabalho e os processos complicados inerentes ao desenvolvimento de novos projetos.

Este modelo está assim na origem do conceito test & learn before design e que na prática tem quatro passos eficazes:

1º Testar e experimentar

2º Repetir até ser factível

3º Desenhar

4º Construir

 

Por outro lado - e em oposição - o atual paradigma do desenvolvimento de produto inverte as prioridades acima descritas iniciando-se pela fase de conceito, seguindo-se a de planeamento, a de design, e só depois então a fase de testes e de lançamento e a fase final de produção.

O inventor Samuel P. Langley investiu durante 17 anos aproximadamente 70 mil dólares na aplicação do modelo desenhar–construir–testar-repetir, tendo como resultado aviões que nunca voaram. Os irmãos Wright, por sua vez, necessitaram de menos tempo, durante quatro anos dedicaram aproximadamente 22 meses, investiram cerca de mil dólares e implementaram um modelo que consistia em testar e experimentar-repetir até ser viável e só depois construir, ou seja, um modelo invertido do anterior.

Surge assim um novo paradigma de desenvolvimento de produto designado atualmente de Set Based Engineering, marcando a importância e a necessidade de testar antes de desenhar o produto final.

Há neste modelo um objetivo de eficiência, pois pretende-se capturar conhecimento para utilização futura, tal como as decisões que foram sendo tomadas por afunilamento, portanto, eliminando alternativas que não respeitam as restrições técnicas ou não vão ao encontro das necessidades do cliente. O Set Based Engeneering baseia-se nas tomadas de decisões para concretizar o conhecimento - Set-Based Decision-Making. Este modelo permite:

·         Fluir entre áreas de especialidade – colaboração

·         Fluir entre projetos – reutilização

·         Tornar visível aquilo que deve ser aprendido para futura convergência

·         Melhoria contínua

 

O primeiro passo consiste em captar os interesses do cliente - clientes finais, utilizadores dos produtos ou gestores de projetos nos quais os produtos são usados - de uma forma aprofundada, compreendendo quais as suas necessidades e motivações.

É fundamental que os interesses dos clientes sejam expressos de forma mensurável para uma melhor compreensão por parte das equipas internas de desenvolvimento, facilitando a comparação com a oferta da concorrência.

O passo seguinte consiste no levantamento das principais características técnicas que impactam estes mesmos interesses e é feito o mapeamento das inter-relações. As relações desconhecidas são de seguida priorizadas, sendo que ao cronograma de aprendizagem destas relações se dá o nome de plano de viabilidade do projeto. Posteriormente as relações são estudadas pelas equipas de engenharia, em vários ciclos de aprendizagem distintos, que se desenrolam preferencialmente em ambientes que simulam a utilização final do produto, ou seja, numa escala industrial, para assim melhor mimicar a realidade e validar o cumprimento dos interesses dos clientes.

À medida que novo conhecimento vai sendo gerado nos ciclos de aprendizagem, este é partilhado com os engenheiros que estão a trabalhar nos restantes ciclos em eventos de integração de conhecimento - estes eventos são o garante de um adequado fluxo de informação entre toda a equipa de projeto.

Afinal, e mais uma e outra vez, o segredo está na partilha. Na partilha do conhecimento e na reutilização deste para os desenvolvimentos e ações seguintes!

 

O Kaizen Institute é uma empresa multinacional que dá suporte às organizações no desenho e implementação de processos que permitem a melhoria contínua de forma sustentada.


 
 
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